Reunião com o BB debate agências virtuais, certificações e crise estrutural nas unidades fora dos grandes centros
escrito por CONTEC 29 de maio de 2026
Representantes da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito (CONTEC) se reuniram, nesta sexta-feira (29/5), com a direção do Banco do Brasil para discutir dois temas prioritários da pauta negocial: o projeto-piloto de agências virtuais e as certificações exigidas pelo banco. O encontro, no entanto, evidenciou uma preocupação ainda maior da representação sindical: a grave crise de pessoal enfrentada pelas agências localizadas no interior do país.
Durante a reunião, os dirigentes sindicais apresentaram relatos das bases, dados sobre a realidade das unidades e cobraram soluções estruturantes para enfrentar o déficit de funcionários, a sobrecarga de trabalho e os impactos no atendimento à população.
Em relação às agências virtuais, a CONTEC destacou que qualquer alteração no modelo operacional do banco precisa ser acompanhada de condições adequadas de trabalho, quadro suficiente de empregados e garantia de qualidade no atendimento aos clientes.
Sobre as certificações exigidas pelo Banco do Brasil, a representação sindical questionou a proporcionalidade das cobranças diante da realidade das equipes reduzidas. Segundo os dirigentes, a exigência de novas certificações, sem contrapartidas efetivas de valorização profissional e progressão na carreira, amplia o desgaste físico e emocional dos trabalhadores.
Um dos pontos centrais da reunião foi a situação crítica enfrentada por diversas agências do interior. Segundo os relatos apresentados pela CONTEC, algumas unidades operam com falta de até quatro funcionários, incluindo cargos gerenciais.
A representação sindical alertou que, mesmo com tentativas de atrair trabalhadores por meio de promoções imediatas para funções de assistente, muitas vagas permanecem sem interessados.
A falta de pessoal já provoca impactos diretos no funcionamento das unidades, como filas maiores, dificuldade no cumprimento de metas, sobrecarga das equipes e riscos crescentes à saúde física e mental dos trabalhadores.
Além disso, os dirigentes destacaram que muitas agências do interior funcionam com menos da metade do quadro considerado ideal, comprometendo a sustentabilidade operacional das unidades e o atendimento à população local.
A CONTEC também apontou desigualdades estruturais na política de gestão de pessoas do banco. Segundo os representantes sindicais, empregados lotados em grandes centros possuem mais visibilidade perante a administração e, consequentemente, maiores oportunidades de promoção e desenvolvimento profissional.
Já os trabalhadores do interior permanecem, em muitos casos, anos na mesma função, mesmo apresentando bom desempenho e cumprimento de metas, sem perspectivas concretas de crescimento na carreira.
De acordo com a entidade, esse cenário dificulta a atração de empregados para localidades de difícil provimento e agrava continuamente a carência de pessoal nessas regiões.
Durante a reunião, a CONTEC questionou se o Banco do Brasil possui um plano permanente e estruturado para equilibrar a distribuição da força de trabalho entre unidades com excesso de pessoal e agências em situação crítica de déficit.
A entidade também cobrou a criação de programas efetivos de mobilidade voluntária, com incentivos financeiros e mecanismos de valorização profissional capazes de tornar as localidades do interior mais atrativas para os trabalhadores.
Entre as principais reivindicações apresentadas pela representação sindical estão:
§ realização de estudo aprofundado sobre a situação das agências do interior;
§ criação de incentivos financeiros e de carreira para atração e retenção de empregados;
§ revisão do modelo de funcionamento de determinadas unidades;
§ priorização de processos seletivos internos para trabalhadores que optem por atuar em regiões de difícil provimento.
Ao final da reunião, a CONTEC solicitou formalmente que o Banco do Brasil realize um diagnóstico detalhado das unidades com déficit crítico de pessoal, identifique as causas estruturais do problema e apresente soluções concretas com cronograma definido.
A entidade reafirmou que continuará acompanhando os desdobramentos da pauta e cobrando medidas efetivas para garantir condições dignas de trabalho, valorização profissional e qualidade no atendimento à população das cidades do interior.