(por Josias de Souza)
Demitido do cargo de diretor-geral da Polícia Federal por exagerar na blindagem que oferecia a Michel Temer, o delegado Fernando Segovia revelou-se um péssimo palpiteiro.
Previa, por exemplo, o arquivamento do processo sobre portos. A investigação continua viva. E já produziu ao redor do presidente algo muito parecido com um cerco.
No centro da roda, junto com Temer, está o coronel da PM João Batista Lima Filho. Apontado como ‘faz-tudo’ do presidente, o coronel Lima está sendo virado do avesso pela PF. Num dos seus achados, os investigadores descobriram que o personagem guarda em contas pessoais e de uma de suas empresa R$ 23,6 milhões.
Nas próximas semanas, Temer terá saudades do tempo em que o noticiário orbitava em torno da mala com a propina de R$ 500 mil da JBS. Aquela que seu amigo e ex-assessor Rodrigo Rocha Loures recolheu em São Paulo. Sobre ela, Segovia dissera: ''Uma única mala talvez não desse toda a materialidade criminosa que a gente necessitaria para resolver se havia ou não crime, quem seriam os partícipes e se haveria ou não corrupção''.
Considerando-se a má qualidade de suas frases e a imprestabilidade dos seus vaticínios, Segovia deveria perder a sinecura internacional que a lealdade a Temer lhe rendeu. Ganhou o posto de adido da PF em Roma. Coisa fina. Contracheque de R$ 51 mil por mês. O delegado entra para a crônica da lama como uma espécie de conto do vigário no qual Temer caiu. (Fonte: UOL)