Fundo soberano da Noruega mantém US$ 15,877 bilhões investidos na América Latina, com exposição concentrada em ativos no Brasil e no México, segundo seu relatório anual (Por Carlos Rodríguez Salcedo) - foto Paulinho Costa feebpr - 

A presença do fundo soberano da Noruega na América Latina se reflete em investimentos que espelham a estrutura de seu portfólio global e seu foco em empresas listadas em bolsa e dívida pública.

O maior fundo soberano do mundo, com ativos que superam US$ 2,03 trilhões, distribui seu capital em dezenas de países e setores. A América Latina representa uma fração menor do portfólio total, mas permite observar como o fundo busca exposição a bancos, energia, infraestrutura e consumo em mercados emergentes.

Em 2025, o fundo registrou um retorno de 15%. As ações contribuíram com 19,3%, enquanto a renda fixa registrou 5,4%. Os investimentos imobiliários não listados atingiram 4,4% e a infraestrutura de energia renovável obteve 18,1%.

Nicolai Tangen, diretor-executivo do Norges Bank Investment Management, afirmou em comunicado que “o fundo entregou resultados muito sólidos em 2025. As ações de tecnologia, finanças e materiais básicos se destacaram e deram uma contribuição significativa ao retorno total”.

O portfólio manteve uma alocação de 71,3% em ações e 26,5% em renda fixa, enquanto os ativos imobiliários representaram 1,7% e a infraestrutura renovável, 0,4%.

Nesse contexto, as posições na América Latina se concentram em um conjunto limitado de países e empresas que refletem a estrutura dos mercados de capitais regionais.

Empresas da América Latina no portfólio
Os investimentos do fundo na América Latina somam US$ 15,877 bilhões distribuídos em seis países. Brasil e México concentram a maior parte da exposição, seguidos por Chile, Colômbia, Peru e Panamá. O fundo mantém 181 posições em ações na região e 33 investimentos em títulos.

Entre as maiores posições em renda variável, aparece o Itaú Unibanco (ITUB4) com um investimento de US$ 669 milhões, enquanto a Petrobras (PETR3; PETR4) concentra US$ 595 milhões.

No México, destaca-se o Grupo México (GMEXICOB) com US$ 430 milhões. O portfólio também inclui Cemex (CEMEXCPO) com US$ 287 milhões, Promotora y Operadora de Infraestructura (PINFRA) com US$ 278 milhões e Fomento Económico Mexicano (FEMSAUBD) com US$ 277 milhões.

No setor financeiro mexicano, figura o Grupo Financiero Banorte (GFNORTEO) com US$ 230 milhões.

Essas posições refletem a preferência do fundo por empresas de grande capitalização em mercados líquidos da região. Brasil e México concentram a maior parte da exposição devido à profundidade de suas bolsas e à presença de empresas com operações regionais.

Na Colômbia, o fundo mantém investimentos em oito companhias que somam US$ 203 milhões. A maior posição corresponde ao Grupo Cibest (CIB) com US$ 174 milhões. O portfólio inclui ainda a Interconexión Eléctrica (ISA) com US$ 12,5 milhões, o Almacenes Éxito (EXITO) com US$ 6,7 milhões e a Cementos Argos (CEMARGOS) com US$ 4,8 milhões.

A presença de várias empresas vinculadas ao Grupo Empresarial Antioqueño (GEA) reflete a estrutura do mercado colombiano, onde conglomerados financeiros e de infraestrutura concentram parte relevante da capitalização de mercado.

O fundo mantém ainda posições em setores de consumo e serviços públicos com o objetivo de diversificar sua exposição.

Em renda fixa, o maior investimento corresponde a títulos do governo do México com US$ 1,544 bilhão. O portfólio inclui também dívida soberana da Colômbia por US$ 1,047 bilhão e títulos do governo do Peru por US$ 1,003 bilhão.

O Brasil aparece com US$ 562 milhões em títulos indexados à inflação, e o Chile com US$ 202 milhões em dívida pública. O portfólio inclui ainda títulos da Codelco por US$ 149 milhões e dívida corporativa da América Móvil (AMXL) por US$ 90 milhões.

Resultados globais
O desempenho global do fundo em 2025 foi impulsionado pelo comportamento dos mercados de capitais. O relatório anual aponta que as ações geraram retornos próximos a 19% e representaram o principal motor do portfólio.

O setor de tecnologia produziu a maior contribuição ao retorno total. Em termos nominais, o segmento gerou US$ 82,3 bilhões. As empresas financeiras contribuíram com US$ 64,3 bilhões e o setor industrial com US$ 29,7 bilhões.

O relatório identifica ainda os setores com melhor desempenho dentro do índice global. Os materiais básicos registraram retornos superiores a 40%, impulsionados pela alta dos preços de metais industriais e preciosos. As ações financeiras registraram retornos próximos a 32% e as telecomunicações atingiram cerca de 31%.

As empresas que mais contribuíram para o resultado do fundo incluíram Alphabet (GOOGL), Nvidia (NVDA), Taiwan Semiconductor (TSM), Broadcom (AVGO), Microsoft (MSFT), Samsung, Alibaba (BABA), Eli Lilly (LLY), ASML (ASML) e Tencent. Essas empresas refletem o peso da tecnologia e da indústria de semicondutores dentro do portfólio global.

O relatório também destaca a concentração crescente do mercado de capitais. As dez maiores posições do portfólio de ações representam cerca de 20% da carteira. Esse fenômeno reflete o peso crescente das grandes empresas de tecnologia dentro dos índices globais.

O desempenho do mercado de renda fixa foi mais moderado. Os títulos geraram retornos próximos a 5%, pois o ambiente macroeconômico foi marcado por cortes de juros em algumas economias avançadas e por expectativas de maior gasto fiscal. (Fonte: Bloomberg Línea)

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